Sem a presença de Suéllen Rosim, Audiência Pública debate enfrentamento à pandemia em Bauru

- Assessoria de Imprensa

Presentes apresentam posicionamentos divergentes sobre adoção de 'lockdown' no município

Na tarde desta quarta-feira (14/4), a Câmara Municipal de Bauru promoveu uma Audiência Pública Virtual para discutir a possibilidade de 'lockdown' na cidade e também as estratégias de enfrentamento à COVID-19, diante do agravamento da pandemia.

O encontro foi presidido pelos vereadores Estela Almagro (PT) e Coronel Meira (PSL).

Participaram ainda os vereadores Pastor Edson Miguel (Republicanos), Guilherme Berriel (MDB), Junior Lokadora (PP), Julio Cesar (PP), Chiara Ranieri (DEM), Pastor Bira (Podemos), Luiz Carlos Bastazini (PTB), Eduardo Borgo (PSL) e Markinho Souza (PSDB).

A audiência contou com a presença, por videoconferência, do secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias; do diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Ezequiel Santos; do deputado federal e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT); do médico infectologista e epidemiologista, professor livre docente da Unesp, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia e membro do Comitê de Contingência da COVID-19 do Governo do Estado de São Paulo, Carlos Magno Fortaleza; do ex-secretário municipal de Saúde, o médico infectologista Fernando Monti; do diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), Moisés Jorge Ferreira de Cristo; da presidente do Conselho Municipal de Direitos Humanos (CMDH), Kátia Valérya dos Santos Souza; do diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Alexandre Morales; do diretor da Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas - Regional Bauru, Eduardo Rollo; do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Reinaldo Cafeo; do presidente do Sindicato do Comércio de Bauru e Região (Sincomércio), Wallace Sampaio; do presidente da CUT-SP, Douglas Izzo; do coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, Itamar Calado; do representante do Sindluz Bauru, Edemir Goes; do presidente do Sindicato dos Comerciários de Bauru, Cilso José de Moraes; do representante do Conselho do Município, Raeder Puliesi; do vice-presidente da OAB Bauru, Adilson Sartorello; do coordenador do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Marcos Chagas; do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Odair Secco Cristovam; além de representantes de entidades, comércio e membros da sociedade civil.

Também participou da reunião o consultor jurídico da Câmara Municipal de Bauru, Arildo de Lima Junior.

Convocada para o encontro, a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) não compareceu e justificou a ausência via ofício.

Abrindo o debate, Estela Almagro agradeceu a presença de todos destacando o papel da Câmara Municipal enquanto espaço de diálogo, a fim de encontrar soluções para as demandas do município.

Coronel Meira frisou que o objetivo da audiência era debater o agravamento da pandemia do novo coronavírus com especialistas, de forma a entender e compreender a importância de medidas eficazes nesse enfrentamento, como o lockdown, que pode proporcionar resultados positivos.

Posicionamentos

O primeiro convidado a usar a palavra foi o médico e professor da Unesp Carlos Magno Fortaleza. O infectologista começou a explicação demonstrando, através das experiências de outros locais, que houve diminuição no número de casos de COVID-19 após o adoção do lockdown. Todavia, o professor ressaltou que por mais que tenhamos inúmeros exemplos de sucesso, tal medida pode ou não funcionar.

De acordo com Fortaleza, o que se sabe hoje sobre a transmissão do vírus é que ela ocorre por via respiratória. Com o decreto de lockdown, há uma diminuição efetiva de circulação de pessoas e, consequentemente, as contaminações também diminuem. O médico infectologista exemplificou uma experiência bem-sucedida de lockdown, que foi o município de Araraquara. Após adotar um isolamento mais intenso do que o restante do estado de São Paulo, a diminuição na circulação de pessoas chegou a cerca de 80% na cidade, o que refletiu na redução de mortes e casos confirmados de COVID-19. Fortaleza frisou que, neste momento, é essencial interromper a transmissão do vírus, já que medidas adotadas de forma isolada, como apenas investir na ampliação de leitos de UTIs, não são suficientes.

Ainda segundo o professor, o discurso de muitos é de que o lockdown fere a autonomia, mas, para ele, em uma pandemia, a vida vale muito mais.

Para Fortaleza, a imunização através da vacina e a adoção de medidas de restrição mais rígidas, com amparo social e econômico, são o caminho para frear a pandemia. O infectologista também ressalta que o uso de medicamentos para o tratamento precoce da doença não têm eficácia comprovada.

Fernando Monti fez coro aos apontamentos feitos pelo membro do Comitê de Contingência da COVID-19 do Governo do Estado de São Paulo. O ex-secretário de Saúde de Bauru afirmou que tem acompanhado a evolução da pandemia no município e tem ficado impressionado com os números registrados desde o início de 2021. O médico ressaltou ainda que mais da metade das mortes em decorrência da COVID-19 foi registrada neste ano.

Alexandre Padilha lamentou o número de óbitos em todo o País e teceu críticas à maneira como o Governo Federal tem lidado com a pandemia. Para o deputado federal, a única maneira de salvar a economia é controlando a pandemia.

Orlando Costa Dias afirmou que hoje as UPAs do município estão sem nenhum paciente com COVID-19. Treze pacientes estão internados no Posto Avançado Covid-19 (PAC) e nove estão aguardando vaga de internação. De acordo com o secretário, nesta semana, mesmo sem o lockdown, o número de casos no município diminuiu, mantendo a mesma média de mortes diárias.

Ezequiel Santos afirmou que, até o momento, o município aplicou 89 mil doses da vacina, o que representa 15,5% da população bauruense. O diretor de Saúde Coletiva pediu apoio para que o Executivo consiga continuar aplicando as doses, já que as equipes de saúde são pequenas. Ezequiel acredita que a discussão sobre as medidas de restrição precisa ocorrer em conjunto com os demais municípios da região.

Entidades Representativas

Walace Sampaio discorda do uso da experiência de Araraquara como modelo a ser seguido porque tal medida dá a entender que o que está acontecendo em Bauru é “uma farra”. Para ele, Bauru está em lockdown desde o dia 9 de fevereiro, completando 64 dias de comércio fechado em 2021, e sem resultados positivos na contenção da pandemia do novo coronavírus.

O presidente do Sincomércio Bauru fez um apelo às autoridades presentes para que se juntem às entidades que representam e peçam ao Governo do Estado a abertura definitiva do Hospital das Clínicas e em sua totalidade.

Walace frisou que as entidades as quais representa são contra o lockdown irresponsável implementado pelo Governo Estadual, sem compensação financeira aos empresários que precisam fechar seus negócios. Segundo ele, nos países em que a medida foi adotada houve uma compensação financeira às empresas fechadas. O gestor disse que defende todo o comércio aberto, com restrições e medidas de segurança.

Cilso José de Moraes pontuou a situação complicada que o município enfrenta e acredita que a vacinação em massa seja a solução.

Douglas Izzo e Alexandre Morales mostraram-se favoráveis ao lockdown como alternativa para conter a propagação do vírus. Ambos acreditam que os governos estaduais e federais foram omissos na maneira como têm lidado com a pandemia.

Kátia Valérya pontuou que 70 mil pessoas estão vivendo com menos de um salário mínimo, em Bauru, e necessitando de auxílio do poder público e de entidades para sobreviverem. A presidente frisou a posição do colegiado na defesa incondicional da vida.

Eduardo Rollo destacou a importância das academias e de outros centros de atividade esportiva para a manutenção da saúde da população, e discordou dos apontamentos de que não há comprovação científica para o tratamento preventivo à COVID-19 com o uso de medicamentos. Rollo defendeu o tratamento precoce e repudiou o uso do termo “kit covid”, já que cada paciente tem uma prescrição médica personalizada.

Questionamentos

Coronel Meira questionou Carlos Magno Fortaleza sobre os motivos que fizeram o lockdown não ser adotado em âmbito estadual. O professor disse que é uma das vinte pessoas que compõem o Comitê de Contingência da COVID-19 e que o colegiado já sugeriu a adoção da medida de restrição ao Governo Estadual.

O médico infectologista também classificou como equivocada a fala de alguns participantes em defesa do tratamento precoce.

Meira questionou se Fortaleza acredita que um lockdown em Bauru possa ser efetivo. O infectologista disse que a adoção da medida por um período entre 14 e 21 dias pode sim gerar queda nos números da COVID-19. Porém, ressaltou que para conter a circulação do vírus, a restrição deve ser implantada em toda região, e não em um município específico.

Finalizando a Audiência Pública, Estela Almagro solicitou que Orlando Costa Dias encaminhe à Câmara Municipal sua posição formal, enquanto presidente do Comitê Gestor de Enfrentamento à COVID-19 e titular da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru, em relação à adoção do lockdown no município e sobre o tratamento precoce da doença.

Assista à íntegra.