Sem depoimento de ex-diretor financeiro, CEI busca ouvir conselheiro da Cohab

- Assessoria de Imprensa

A comissão que apura irregularidades na gestão da companhia também solicitou informações sobre a participação dos 103 acionistas em aprovações de balancetes e eventual partilha de lucros entre 2009 e 2019

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na Cohab esperava ouvir, nesta sexta-feira (19/06), o ex-diretor financeiro da empresa Paulo Gobbi, que, pela segunda vez, não atendeu ao convite do colegiado. No Plenário da Câmara de Bauru, os vereadores-membros deliberaram sobre os próximos passos dos trabalhos.

Para o dia 1º de julho (quarta-feira), às 10h da manhã, ficou agendado o depoimento do senhor Arthur Guedes Neto, que foi convocado a participar.

De acordo com o relator da comissão, vereador Edvaldo Minhano (Cidadania), ele integra o Conselho Administrativo da Cohab há mais de duas décadas.

A CEI já solicitou a relação de todos os integrantes dos conselhos administrativo e financeiro, mas ainda espera resposta da companhia

Nesta sexta, os vereadores decidiram também questionar o órgão se, entre 2009 e 2019, houve distribuição de lucros entre seus 103 acionistas e se os mesmos participaram das aprovações dos balancetes do período.

Bens e valores

Atual presidente da Cohab, Arildo Lima Júnior esteve na Casa durante a reunião para protocolar as declarações de bens e valores do ex-presidente Edison Gasparini Junior, por Paulo Gobbi e pelos funcionários Marcelo Nascimento Alba, Miriam Renata de Castro Navarro e Thayná Maximiano Salcedo.

Esses materiais foram requeridos pela CEI e, em acordo com a legislação, estão sob sigilo, disponíveis apenas aos membros do colegiado parlamentar.

À espera

Outros documentos solicitados ainda não foram disponibilizados pela atual diretoria do Cohab: cópias dos comprovantes dos saques financeiros solicitados por Edison Bastos Gasparini Júnior, durante todo o período em que o mesmo esteve à frente da presidência do órgão; e a relação de todos os pagamentos contabilizados a título de seguro dos mutuários, compreendidos entre 1998 até a presente data.

Nesta semana, a CEI também pediu informações detalhadas a respeito da transação de um imóvel, mencionado em documentação disponibilizada ao colegiado, dado como pagamento pelo órgão para quitar um título.

Comissão

O vereador Natalino da Silva (PV) preside a CEI da Cohab, que, além de Minhano no posto de relator, tem como membros Sandro Bussola (PSD), Luiz Carlos Barbosa (Republicanos) e Ricardo Cabelo (Republicanos).

O presidente da Casa, José Roberto Segalla (DEM), e o vereador Luiz Carlos Bastazini (PTB) acompanharam os trabalhos desta sexta-feira.

A comissão possui quatro frentes de investigação: recebimento do seguro habitacional de 1998 a 2010 sem o devido repasse ao órgão credor; o recebimento e eventuais desvios do período entre 2007 e 2014 do seguro habitacional; possíveis desvios do retorno do FGTS à Caixa Econômico Federal (CEF) a partir de 2014; e os acordos extrajudiciais realizados pela Cohab com construtoras.

Em 17 de dezembro de 2019, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagrou operação denominada “João de Barro” após 14 meses de investigações acerca de desvios na companhia, que tem a Prefeitura de Bauru como sócia majoritária e, desde 2005, era presidida por Edison Gasparini Júnior.