Reunião Pública discute viabilidade de acesso à Estrada do Limão

- Assessoria de Imprensa

Reivindicação antiga busca solução para facilitar o deslocamento diário dos moradores e produtores rurais; Legislativo e Executivo ouviram os principais pontos elencados pelos municípes

Por iniciativa do vereador Marcelo Afonso (Patriota), a Câmara Municipal de Bauru promoveu, no dia 14 de junho, uma Reunião Pública para discutir a viabilidade de acesso à Estrada Rural Rose Marie Miziara de Lima, conhecida popularmente como Estrada do Limão.

Participaram de forma presencial no plenário “Benedito Moreira Pinto”, o vereador Junior Lokadora (PP) e os representantes do Poder Executivo, o assessor de Gabinete da Prefeita Municipal, Leonardo Marcari; o secretário de Agricultura e Abastecimento (Sagra), Jorge Abranches; o engenheiro da Sagra, Otaviano Alves Pereira, e o engenheiro civil da Defesa Civil, Julio César Natividade. O encontro contou ainda com a presença, por videoconferência, do secretário de Obras, Leandro Dias Joaquim.

Também participaram de maneira presencial, os moradores e produtores rurais da região: Suzi Franco, Michel Sartori, Carlos Ribeiro, Marcio Limão e Luiz Teixeira, e os membros da Igreja Tenrikyo de Bauru, Celso Shinji Namiki e Ricardo Ukei.

Discussão

No início do encontro, Marcelo Afonso veiculou uma reportagem realizada ‘in loco’ visando viabilizar as demandas dos moradores e produtores rurais que utilizam a Estrada do Limão diariamente e buscam alternativas para facilitar o deslocamento diário da produção e locomoção.

Rogério Hideo, usuário da via, apontou questionamentos em relação ao tempo, tanto de trabalho como de descanso e, até mesmo, em relação ao tempo que seria necessário para que os serviços de atendimento de urgência e emergência socorrerem um morador local. Além disso, o produtor pontuou os gastos a mais com combustível.

O produtor rural Luiz Teixeira complementou a fala do Rogério e informou que os produtores e moradores andam cerca de 18km a mais entre ida e volta para Bauru. Teixeira relembrou ainda que as reivindicações já são realizadas há muito tempo.

Márcio Limão, morador e produtor rural, também relatou sobre a dificuldade dos produtores que dependem diariamente da estrada e pontuou a questão da segurança do trajeto, relembrando acidentes.

A moradora Suzi Franco mencionou a questão escolar, levando em consideração as reclamações de motoristas de transporte de crianças e os próprios pais. “Acho que agilizaria muito a nossa vida”, destacou. Retomando a fala de Suzi, Teixeira também reivindicou coberturas para as crianças e responsáveis na estrada da zona rural enquanto esperam para pegar o ônibus.

Leonardo Marcari, assessor de Gabinete da Prefeita, questionou a quilometragem que diminuiria com o acesso. Teixeira informou que aproximadamente 18 quilômetros, entre ida e volta, e pontuou que além do tempo, também há gasto a mais de combustível. Márcio destacou ainda que o produtor rural trabalha todos os dias do mês e, portanto, o gasto a mais é diário.

O engenheiro da Sagra, Otaviano Alves Pereira, informou que as reivindicações ocorrem desde 2012, mas a pasta não conseguiu dar sequência às solicitações por diversos fatores. De acordo com Otaviano, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) já realizou uma solicitação para amenizar o problema dos moradores da região. Outro ponto necessário é a realização de levantamento topográfico altimétrico para, assim, poder elaborar o projeto executivo.

Segundo o engenheiro, a conversa com a Igreja Tenrikyo, proprietária da área que possibilitaria o acesso à Estrada do Limão, deveria ser feita após a elaboração do projeto. “Acredito que agora a gente possa dar encaminhamentos mais positivos”, destacou. Otaviano também informou que foi ele quem elaborou o texto do abaixo-assinado, que já conta com 61 assinaturas.

Márcio Limão informou que, de acordo com a imagem do local, o espaço para rotatória já existe e a rampa já está pronta, então acredita ser menor a área menor que a igreja teria que ceder.

O engenheiro da Defesa Civil, Julio César Natividade, pontuou que se propôs a fazer os croquis para se ter uma ideia do que é preciso para realizar o acesso, mas ainda não é oficial. Entretanto, pontuou que é preciso realizar exatamente o que o engenheiro agrícola da Sagra apontou. Julio ainda informou que as duas secretarias poderiam atuar juntas.

Leandro Dias Joaquim, secretário de Obras, pontuou que sentiu falta dos representantes da concessionária ViaRondon em participar da reunião. O secretário questionou se uma outra estrada paralela à concessionária ViaRondon, com acesso em direção a Lins, ainda é utilizada. O engenheiro da Sagra, Otaviano Pereira, informou que essa estrada foi desativada e completou apontando que resgatar partes dela é inviável, já que vários pontos sofreram processo de erosão. Para o engenheiro, uma solução seria a união da Estrada do Limão com a Estrada da Gabiroba, mas a topografia é um dificultador, sendo um custo muito alto se realizar uma estrada segura. Otaviano destacou ainda que além do trabalho de topografia, também é necessário realizar estudos de solo.

Leandro Joaquim falou ainda sobre o uso de resíduos da construção civil para melhoria das vias de estradas rurais. O secretário voltou a insistir que ou a Artesp ou a ViaRondon deveriam participar da reunião, pontuando que elas precisarão dar uma solução estruturada em relação à entrada e saída de veículos de maneira segura.

Jorge Abranches, secretário da Sagra, falou que em 2009 a Prefeitura foi notificada para regularizar três acessos, sendo a Estrada do Limão um deles, além da Gabiroba e Santa Maria. O secretário pontuou que é preciso acertar a situação da estrada. “Acho que a hora de começar é agora”, destacou. Jorge ainda pontuou ser um assunto “delicado” e que é necessário ver se é competência da prefeitura em realizar ou não o acesso.

O vereador Marcelo Afonso questionou sobre o caso de ser disponibilizada uma área de aproximadamente 500 metros da propriedade da Igreja Tenrikyo, se necessitaria de todo o processo descrito. Jorge falou que depende do que a concessionária ViaRondon aprovaria junto à Artesp, para não se manter irregular.

Julio falou que o projeto engloba todas as fases e disse não se preocupar com a qualidade do solo, a princípio. Respondendo ao questionamento do parlamentar, Julio, como engenheiro, disse acreditar que tudo é possível, mas acha que daria problema com a Artesp e com a concessionária em relação ao acesso de uma estrada rural de má qualidade à estrada estadual. “O grande problema da estrada é o pós. Então, se nós fizermos algo da melhor qualidade possível agora, você demandaria uma manutenção menor”, destacou.

Leandro Joaquim pontuou que é preciso realizar o acesso com muita segurança, porque a tendência é aumentar o fluxo de pessoas.

Ricardo Ukei, membro da Igreja Tenrikyo, destacou que a maior dificuldade da igreja é que com o projeto de acesso, eles seriam os únicos prejudicados com a perda de espaço da área. Ele ainda comentou que poderiam ter sido comunicados antes sobre a questão de doação de terra e disse não poder responder na ocasião sobre tal cessão. “As oferendas da igreja são uma responsabilidade para com todos os fiéis”, pontuou.

Otaviano Pereira pediu desculpas em nome da Prefeitura à Igreja em relação a não comunicação sobre o acesso da Estrada do Limão. Ainda pontuou que o contato não foi feito, pois queriam compor o dossiê para entregar à igreja, tendo algo mais concreto a apresentar.

Ricardo Ukei destacou que o repasse de todas as informações poderia ocorrer em agosto.

Jorge Abranches disse que o primeiro passo já foi dado e que agora é necessário levar o projeto à igreja e em contrapartida levar as informações à concessionária ViaRondon.

Durante a veiculação de uma matéria, Márcio Limão pontuou que há um espaço de uma rotatória que dá acesso a uma rampa que poderia ligar direto à Estrada do Limão, que não entraria na propriedade da Igreja, apenas o espaço da estrada. De acordo com o produtor, não seria preciso pavimentação, já que ligaria a estrada rural.

Otaviano Pereira, engenheiro da Sagra, no entanto, apontou a necessidade de confirmar a área de domínio da rodovia. De acordo com o engenheiro, na área plana seria realizada uma rotatória e em relação à rampa, pontuou ser necessário o estudo topográfico. Ainda falou que, a princípio, não vê uma interferência direta da Artesp ou ViaRondon, porque a área de domínio é da estrada municipal.

Luiz Limão sugeriu que a estrada saísse direto da rotatória na diagonal, sem ter ligação com a rodovia estadual. Jorge informou que é preciso colocar no papel para ver se é possível.

Teixeira falou do cuidado de apresentar mais de uma proposta e acabar não tendo nenhuma. Na sua opinião é melhor realizar uma única proposta.

O secretário da Sagra voltou a apontar a necessidade de se realizar o estudo e o projeto para se ter noção do que é possível ser executado.

Leandro Joaquim falou que não possuem o mínimo de condição técnica para realizar projeto de sistema viário. Disse torcer que a concessionária ViaRondon já tenha levantamento da região e que tenha também auxílio deles.

O engenheiro da Defesa Civil, Julio Natividade, disse que tecnicamente pode dar apoio, mas precisa de levantamento altimétrico e soldagem do solo. Tratou ainda sobre o problema da sobrecarga das secretarias e falou da necessidade de mão de obra da pasta. Julio ainda informou que poderia realizar um pré-projeto e deu prazo de 15 dias para a finalização.

Por fim, o vereador Marcelo Afonso falou que vai marcar uma reunião entre as Secretarias Municipais e os representantes da Igreja Tenrikyo e da concessionária ViaRondon, no dia 29 de junho, às 14h, no plenário da Câmara.