Rede pública e escolas privadas de pequeno porte apontam planejamento e demanda para a retomada de atividades presenciais

- Assessoria de Imprensa

Câmara de Bauru promoveu discussão que tratou de temas como protocolos de reabertura e possível migração de alunos da rede privada para a pública

Audiência Pública promovida pelo vereador Mané Losila (MDB), nesta terça-feira (14/07), discutiu parâmetros que devem ser adotados para a retomada de atividades presenciais em berçários, creches e escolas no município.

Com foco na educação infantil e fundamental, o encontro realizado por videoconferência contou com a participação de representantes do poder público, do Conselho Municipal de Educação e de escolas da rede privada.

A necessidade de reinvenção do ensino durante e no pós-pandemia, os protocolos para a reabertura dos estabelecimentos e a possível migração de alunos do ensino privado para o público foram alguns pontos abordados durante a audiência.

Também participaram do encontro o vereador Sérgio Brum (PDT), presidente da Comissão de Educação e Assistência Social do Legislativo de Bauru, e a vereadora licenciada Chiara Ranieri (DEM).

Mané Losila explicou que a convocação da audiência não tinha a intenção de defender uma ou outra bandeira, mas abrir o espaço para a discussão e exposições sobre o tema a partir de diferentes perspectivas.

Instituições Privadas

Gustavo Guelpa falou em nome de um grupo de escolas particulares de pequeno porte, que totalizam 2.500 alunos e 350 funcionários.

Segundo ele, desde o início da suspensão das atividades em decorrência do novo coronavírus, perderam cerca de 55% de suas receitas.

Ele expôs a preocupação com o risco de fechamento dessas dessas empresas, ao pontuar que as consequências econômicas da pandemia levam pais e mães a cancelar as matrículas, especialmente das crianças que não estão em idade escolar obrigatória - a partir dos 4 anos de idade.

Para além da saúde financeira das instituições, Guelpa defendeu a adoção de protocolos para a retomada das atividades nas escolas da rede privada, a partir do argumento de que a experiência de ensino remoto mostra que as crianças sentem falta do convívio e das relações promovidos pelo ambiente escolar, a despeito da afinidade dos alunos com os dispositivos eletrônicos.

Vereadora licenciada, Chiara Ranieri pontuou que é necessário pensar nas escolas privadas de maneira diferente das públicas, até pelo habitual menor número de estudantes por sala.

Secretária de Educação

Isabel Miziara, responsável pela Secretaria Municipal de Educação informou que hoje a lista de espera de vagas para o ensino infantil nas escolas municipais é de aproximadamente 450 crianças.

Segundo ela, o número é compatível com o observado em anos anteriores.

Questionada sobre o processo de transferência de alunos da rede privada para pública em decorrência da pandemia, Isabel informou que, em 2020, 166 novos pedidos de matrícula foram recebidos - número muito inferior á evasão de escolas particulares apontada por Gustavo Guelpa.

Miziara observou ainda que a Central de Vagas conta com 500 vagas, que não são ocupadas por incompatibilidades geográficas com as residências das famílias ou locais de trabalho de responsáveis pelas crianças que estão na fila.

A gestora esclareceu que, quando a criança está em idade escolar obrigatória, a matrícula não pode ser recusada.

Volta às aulas presenciais

Isabel frisou que a Prefeitura seguirá as determinações do Governo do Estado para a retomada das aulas presenciais.

A expectativa é de que isso possa ocorrer a partir do dia 8 de Setembro, mas sob a condição de pelo menos 28 dias consecutivos na Fase Amarela do Plano São Paulo. Bauru, atualmente, está na Laranja.

Na primeira etapa do possível retorno, as instituições públicas e privadas poderão receber de forma presencial 35% do número de alunos matriculados. Ainda não foram definidos os critérios que serão adotados para a seleção do grupo a ser atendido.

Desse modo, o ensino presencial será oferecido paralelamente ao ensino remoto, até que 100% dos alunos possam frequentar as unidades de ensino, medida prevista para acontecer na terceira etapa de retomada.

Isabel reiterou que, desde o dia 23 de abril, a Secretaria Municipal de Educação segue novo calendário escolar, que tem como objetivo cumprir as 800 horas letivas anuais mínimas no ensino fundamental - norma estipulada pelo Governo Federal.

Questionada por um munícipe que participou da Audiência Pública por WhatsApp, a gestora ressaltou que a pasta abriu processos para a compra de totens de higienização, máscaras e demais Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), para garantir a retomada segura segura das atividades, tanto para os alunos quanto para os servidores públicos municipais.

Conselho Municipal de Educação

Gislaine Gobbo, representante do Conselho Municipal de Educação, apontou que experiências em países que já retomaram as aulas presenciais apontaram que o dia-a-dia da escola precisa ser reinventado.

Ela frisou também que a retomada não se dará nos mesmos moldes do que foi parado em março, pois a excepcionalidade do momento exige que alternativas precisam ser pensadas de forma conjunta por todos os segmentos.