Medidas para combate de possível nova onda do novo coronavírus são discutidas em Audiência Pública

- Assessoria de Imprensa

Em Bauru, até o momento, não foi identificada a nova variante Ômicron da COVID-19

Por iniciativa do vereador Eduardo Borgo (PSL), a Câmara Municipal de Bauru promoveu, nesta quarta-feira (15/12), uma Audiência Pública para discutir medidas preparatórias para uma possível nova onda da COVID-19.

Participaram de forma presencial no plenário “Benedito Moreira Pinto”, os vereadores Pastor Bira (Podemos) e Guilherme Berriel (MDB).

A audiência contou ainda com a presença, por videoconferência, do vice-prefeito e secretário de Saúde, Orlando Costa Dias; do diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Ezequiel Santos; da diretora do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) da secretaria de Saúde, Alana Trabulsi Burgo, e da diretora do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde, Lucila Bacci.

Discussão

Eduardo Borgo abriu o encontro prestando homenagens a Orlando Costa Dias pelo período que o vice-prefeito atua à frente da Secretaria de Saúde do município.

O parlamentar explicou que a Audiência Pública é uma oportunidade para discutir as medidas que a cidade pode tomar caso a nova variante do coronavírus, denominada Ômicron, torne-se presente no âmbito municipal.

Borgo retomou a experiência do município no combate à pandemia anteriormente, destacando o colapso do sistema hospitalar, a insuficiência de leitos e os cortes de verbas na saúde anunciados pelo governo estadual no início do ano.

Para Orlando Costa Dias, as pessoas estão “perdendo o medo” do coronavírus e se expondo mais aos mecanismos de transmissão.

De acordo com secretário, o Posto Avançado COVID-19 (PAC) foi fechado, mas continua com toda a estrutura montada, podendo ser reativado se houver necessidade.

Sobre a falta de medicamentos, o secretário informou que fabricantes deixaram de fabricar alguns fármacos e houve um problema no sistema de compras do Executivo, mas ambos os casos estão sendo resolvidos e os estoque das unidades de saúde estão normalizados.

Questionada por Eduardo Borgo, Alana Burgo informou que em casos leves da Ômicron, o diagnóstico é feito e o paciente é orientado a seguir os mesmos protocolos das outras variantes. Em casos graves, a internação é recomendada.

Para uma possível “explosão” de casos, Ezequiel Santos informou que assim que o primeiro caso da nova variante for confirmado no município, a Vigilância Epidemiológica irá isolar o paciente e monitorar os contatos que ele teve, tentando identificar se a infecção foi autóctone ou veio de outro município.

De acordo com Ezequiel Santos, em reuniões com cientistas e outros especialistas do Brasil, foi discutido, observando a experiência de outros países, que com altas taxas de vacinação a evolução para casos graves da Ômicron tem sido controlada.

No entanto, Santos informou que a variante pode infectar pacientes que já tiveram COVID-19 e têm sintomas intensos, o que pode aumentar o fluxo de pacientes nas unidades de saúde, buscando tratamento para estes sintomas. Ezequiel reforçou que as medidas de prevenção continuam sendo as mesmas: distanciamento social, uso de máscara, higienização das mãos e protocolo de imunização completa com terceira dose da vacina.

Segundo Ezequiel, 96% dos casos da Ômicron não levam o paciente à internação, mas isso não significa que as medidas de biossegurança devem ser relaxadas.

Eduardo Borgo questionou se Bauru consegue fazer o sequenciamento genético da Ômicron. Ezequiel Santos informou que o município faz parte de um rede de laboratórios, fornecendo amostras que são encaminhadas para os laboratórios do Instituto Butantan, por meio do Instituto Adolfo Lutz. “Toda semana a Vigilância Epidemiológica recebe o retorno dessas amostras. Se a Ômicron for identificada, a devolução do sequenciamento com diagnóstico positivo é mais rápida, facilitando a investigação e o isolamento”, explicou Ezequiel.

Eduardo Borgo questionou Ezequiel Santos se a vacina impede o contágio e a transmissão do coronavírus. O diretor explicou que, assim como todas, os imunizantes da COVID-19 melhoram a resposta do organismo e evitam a evolução da doença para casos mais graves. Ezequiel explicou ainda que existe uma pequena porcentagem dos vacinados que tem uma falha vacinal, por isso a maioria das vacinas exige mais de uma dose.

Indagado por Borgo, Ezequiel disse que o registro de aumento nos casos de Influenza (gripe) é reflexo da descoberta de uma nova cepa de H3N2, em novembro deste ano. Ele explicou que a vacina com a qual a população está sendo vacinada agora não contém o sequenciamento genético desta nova cepa, já que a composição do imunizante sempre conta com cepas descobertas no ano anterior. No entanto, Ezequiel disse acreditar que as medidas de prevenção do novo coronavírus ajudaram a diminuir o contágio da H3N2 no Brasil.

O vereador questionou Ezequiel se a mesma dinâmica, de não proteção, se aplica a Ômicron. O diretor explicou que não, porque a Ômicron é uma variante da COVID-19, enquanto a H3N2, descoberta em novembro, é uma nova cepa do vírus Influenza.

Eduardo Borgo criticou a ausência de representantes da da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6) e da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). “Isso é um desrespeito aos seres humanos, o que estamos discutindo aqui é importante para o município”, declarou Borgo.

O parlamentar questionou os representantes do Executivo se há protocolos ou conversas com os representantes do Governo do Estado, sobre uma estratégia de mobilização, caso seja necessária. Alana Burgo disse que o município já cobrou a DRS e o Estado sobre tais medidas, e que reuniões periódicas são feitas entre ambos.

Borgo questionou Costa Dias sobre a possibilidade de que os pacientes com suspeita de COVID-19 voltem a ter canais de atendimento separados do restante das enfermidades. O secretário informou que, se necessário, as unidades sentinela poderão ser reativadas.

Pastor Bira e Guilherme Berriel reiteraram a importância de que a população mantenha os protocolos de biossegurança, continue se protegendo e aderindo à vacinação. Os parlamentares também destacaram a importância de discussões como essa, preparando o município para desafios futuros.

Eduardo Borgo lamentou que a Saúde não tenha saldo para gratificar os profissionais da saúde com um abono, destacando o esforço depreendido por esses profissionais nos últimos dois anos.