Marginais da Marechal Rondon exigirão urbanização de 3 quilômetros de novas ruas e viaduto da Cruzeiro do Sul

09/10/2018 - Interligação da avenida sobre a rodovia é apontada como crucial, em razão da previsão de interdição do viaduto da Duque de Caxias para o avanço das obras

Letícia Kirchner e os vereadores Chiara Ranieri e Natalino

  Reunião pública promovida pela Câmara Municipal de Bauru, no Plenário da Casa, na noite desta terça-feira (09/10), apresentou à comunidade quais alterações no projeto e obras complementares são cruciais para garantir que a construção das marginais da rodovia Marechal Rondon (SP-300) não isole empresas e bairros lindeiros às pistas, para viabilizar o fluxo adequado de veículos, e, até mesmo, impedir o caos no tráfego dentro da cidade. Assista aqui

  Entre elas, estão a abertura de novos 3 quilômetros de ruas e a construção do viaduto sobre a rodovia interligando as duas partes da avenida Cruzeiro do Sul (Leia mais abaixo).

  Os trabalhos foram conduzidos pelo vereador Natalino Davi da Silva (PV) e contaram com a participação dos parlamentares Chiara Ranieri (DEM) e Francisco Carlos de Góes – Carlão do Gás (MDB). Yasmim Nascimento (PSC) foi responsável pela convocação do encontro, mas não pôde comparecer por motivos de força maior.

  Presentes, o prefeito Clodoaldo Gazzetta e o vice-prefeito Toninho Gimenez reiteraram o empenho político do município para garantir que as intervenções sejam acolhidas pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo). Uma reunião entre o chefe do Poder Executivo e a direção do órgão deve acontecer na próxima semana, em data a ser confirmada.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta vai se reunir com a Artesp na próxima semana

  Representante da ViaRondon, responsável pela contratação das obras das marginais (previstas no compromisso de concessão), Fábio Abritz destacou que qualquer mudança no projeto precisa do aval da Artesp.

  As sugestões de alterações foram tecnicamente justificadas pelos secretários Letícia Kirchner (Planejamento) e Ricardo Olivatto (Obras).

  A reunião desta terça-feira serviu para que fosse apresentada a compilação de apontamentos resultantes de quatro reuniões setoriais, com representantes de empresas e moradores, promovidas pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), após a mobilização do Poder Legislativo frente à insegurança e à insatisfação da comunidade em relação à concepção original do projeto – desconectado das necessidades de Bauru e de seus moradores.

  Foi a mediação da Câmara que garantiu que a Prefeitura tivesse acesso à íntegra do projeto, na primeira quinzena de setembro. Leia mais aqui

Novas ruas

  Em razão do sentido único projetado para as vias marginais da Rondon, a Prefeitura aponta a necessidade de urbanizar pelo menos 3 quilômetros de novas ruas dentro da cidade – o que exige a execução de obras de drenagem e pavimentação. Sem elas, o fluxo de veículos torna-se inviável.

  As chamadas “rotas alternativas” estão previstas para os bairros Jardim Nicéia, Jardim Santos Dummont e Vila Aviação B.

  Essas ruas que terão de ser abertas estão fora da área de circunscrição da Artesp. Ainda assim, a alternativa apontada pela secretária de Planejamento para viabilizar as obras é a busca de recursos junto ao governo do Estado.

Viaduto

  Antiga reivindicação da cidade, a construção do viaduto na Cruzeiro do Sul sobre a Rondon precisa ser incorporada ao projeto.

  A obra de arte não está prevista, mas é apontada como alternativa para minimizar os impactos de uma complexa intervenção da qual depende o planejamento da obra: a interdição por cerca de três meses do viaduto da avenida Duque de Caxias sobre a rodovia – ponto de intenso fluxo de veículos, que liga importantes regiões de Bauru.

  Secretário de Obras, Ricardo Olivatto estima que a construção do viaduto da Cruzeiro custe em torno de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões – segundo ele, a mais cara das intervenções dentro da circunscrição da SP-300, de responsabilidade da Artesp.

  Diante da relevância da obra, o vereador Natalino destacou que, no diálogo junto aos órgãos estaduais, o município se disponha, inclusive, a colaborar financeiramente para sua viabilização.

  “Até agora, conseguimos identificar a desarmonia e o descompasso entre as esferas governamentais, em se tratando de uma intervenção de impacto tão grande para a nossa cidade. A Câmara chamou a responsabilidade para si e está mediando esse diálogo que tem se comprovado indispensável”, pontuou o parlamentar do PV, em entrevista ao Portal Legislativo.

  O parlamentar Carlão do Gás também fez críticas à condução do processo e demonstrou preocupação com eventuais consequências negativas das obras para a população de Bauru.

  Chiara Ranieri, por sua vez, já havia criticado o fato de o modelo da construção das marginais não ter sido previamente discutido com a cidade.

Rafael Rosalim, Aníbal Ramalho, o vereador Carlão do Gás e o secretário de Obras, Ricardo Olivatto

Outras adequações prioritárias

  Também serão apresentadas à Artesp como prioritárias as necessidades de alteração do dispositivo de acesso à região da Vila Regina, onde está o Bauru Shopping, para que haja condições de entrada e saída de veículos; a implantação de cul de sacs em todas as vias que serão interrompidas em decorrência das obras e, onde já estão previstos, a ampliação de suas áreas, de forma a garantir espaço de manobra para veículos de médio porte; e a manutenção do acesso à via marginal pela Rua Amapá.

Frente

  Diante de impasses que precisam ser sanados nas regiões citadas acima, a Prefeitura vai sugerir à Artesp e à ViaRondon que as próximas frentes de obra se concentrem no trecho entre os quilômetros 342 e 343,6, onde está o trevo da avenida Nuno de Assis.

Classificação da via

  Ainda na reunião, Letícia Kirchner explicou que, com os acessos e demais intervenções reivindicados, as marginais da Rondon precisarão ser reclassificadas como vias arteriais, com velocidade máxima de 70 quilômetros por hora.

  Este será mais um pedido levado à Artesp, já que as pistas foram planejadas como vias de trânsito rápido, nas quais os veículos podem circular em até 90 quilômetros por hora.

  A Prefeitura também reivindica ser informada sobre o cronograma das obras já com as adequações pleiteadas.

Participação

 A participação de munícipes foi marcada por relatos de temor de que, caso não se viabilizem as intervenções e as obras sejam executadas, suas empresas não tenham mais condições de funcionar, por falta de acesso viário.

  Também foram cobradas soluções para o tráfego de bicicletas; para a iluminação pública (não contemplada pelo projeto); e para os locais onde serão instalados pontos de ônibus.

   As obras das marginais da Rondon, que se estenderão por todo o trecho urbano de Bauru, começaram em junho de 2016, com prazo de conclusão para abril deste ano. De lá para cá, no entanto, diversas paralisações e indefinições inviabilizaram o cumprimento do cronograma inicial.

 

VINICIUS LOUSADA

Assessoria de Imprensa