Legislativo entrega Prêmio 'Zumbi dos Palmares' 2022

- Assessoria de Imprensa

Idenilde de Almeida Conceição, Andressa de Souza Ugaya e José de Bara Figueiredo foram os homenageados deste ano

Em Sessão Solene, na noite desta quinta-feira (17/11), a Câmara de Bauru homenageou três contemplados pelo Prêmio “Zumbi dos Palmares” 2022, em cumprimento à Resolução n.º 520, de 17 de setembro de 2013.

Os três Decretos Legislativos, de autoria da Mesa da Câmara, que concedem o Prêmio “Zumbi dos Palmares” a José de Bara Figueiredo (Processo n.º 185/22), Idenilde de Almeida Conceição (Processo n.º 186/22) e Andressa de Souza Ugaya (Processo n.º 187/22), foram aprovados pelo plenário da Casa de Leis por unanimidade, na 33ª Sessão Ordinária, realizada em 19 de setembro deste ano.

Presidida pelo presidente da Câmara de Bauru, vereador Markinho Souza (PSDB), e secretariada pela vereadora Estela Almagro (PT), a sessão contou com a participação do vereador Junior Lokadora (PP); do secretário de Cultura, Paulo Eduardo Dias Campos, representando a prefeita Suéllen Rosim (PSC); a presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, Sebastiana de Fátima Gomes, e o membro do colegiado, Diego Peraçoli; a vice-presidente do Conselho da Mulher de Bauru, Glaucia Aparecida Felisbino; o ex-Consultor Jurídico da Câmara de Bauru, Sebastião Fernando Gomes; os representantes do Sindicato dos Jornalistas de Bauru, Camila Fernandes e Ricardo Santana; o vice-presidente do Conselho Municipal de Educação do Município de Pederneiras (SP), Marco Antonio Gomes de Almeida; a diretora da Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp), Teresinha Maude Caçador; a representante da Afuse - Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo, Milena Santana; a representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Bauru, Suzi da Silva; a diretora da divisão de bibliotecas da Secretaria de Cultura, Vanessa Garcia; o representante do deputado Estadual Paulo Fiorilo (PT), Pedro Valentim; a vice-presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB Bauru, Jamile da Silva Ribeiro Gonçalves; o ex-vereador da Câmara de Bauru, José Carlos de Souza Pereira (Batata), autor da Lei Municipal n.° 3.971/1995, que prevê medidas anti-racismo e inclui no Calendário Municipal de Eventos a “Semana Municipal da Consciência Negra”.

Idenilde de Almeida Conceição recebeu o Prêmio das mãos da vereadora Estela Almagro. Já a homenageada Andressa de Souza Ugaya recebeu a honraria do vereador Junior Lokadora. Por fim, José de Bara Figueiredo recebeu o Prêmio do atual secretário de Cultura, Paulo Eduardo Dias Campos.

Discursos

No início, a vereadora Estela Almagro (PT) relatou a sua emoção ao memorar a figura histórica de “Zumbi dos Palmares”. Ela chamou atenção para a existência de movimentos políticos no Brasil que questionam valores básicos da Constituição Federal de 1988 e que pedem o retorno de governos autoritários e se disse surpresa ao precisar abordar sobre a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil, e a libertação dos escravos em pleno Século 21. "Na Sessão da Câmara, eu disse que nunca imaginei que me reverencio em Dandara [que teve papel importante no Quilombo de Palmares] e não na Princesa Isabel, tendo que memorar a libertação dos escravos, falar de Lei Áurea. Porque essa galera que se diz patriota, mas que está acampada em frente aos quartéis pedindo ditadura e golpe, o que pensam eles sobre a população preta e periférica? O que pensam sobre a violência contra nossos jovens da periferia? O que pensam sobre o extermínio da nossa juventude preta e periférica? O que pensam sobre os direitos das mulheres? Nós estamos em um momento ímpar da história", declarou a parlamentar.

Em sua fala, José de Bara Figueiredo apresentou uma interpretação religiosa acerca da história da escravidão e discriminação da população negra do Brasil. Nesse relato, figuras de religiões de matrizes africanas são símbolos de luta e resistência. Ele defendeu que haja o fim do preconceito religioso no País: “Os Orixás vieram e lutaram por todo o povo. Tirem o preconceito do caminho. O povo preto, o povo negro, o povo mestiço do Brasil só quer ter fé”.

Idenilde de Almeida Conceição agradeceu à sua família e aos seus companheiros de militância política pela homenagem. "Obrigada a todos vocês. Com certeza, eu vou honrar esse prêmio, essa celebração que eu, junto com vocês, comungo hoje".

Andressa de Souza Ugaya começou o seu discurso com uma performance musical. Na música, ela expressou a conquista da liberdade: "Trabalhei, suei, sangrei. Dos cativeiros e das correntes, com fé, eu me libertei".

Na sequência, ela recordou de sua trajetória de vida, pontuando episódios de violência racistas e misóginos de que sofreu, e creditou à sua ancestralidade a capacidade para resistir e adquirir estabilidade. "Essas são algumas das milhares de situações cotidianas que ferem as nossas existências e que nos adoece. Eu falo no plural, porque eu não existo no singular. Eu continuo sobrevivendo, existindo e resistindo, porque há dezenas de pessoas me estendendo a mão a cada queda. Estou aqui, firme, enraizada, porque eu tenho uma ancestralidade me sustentando e me guiando", afirmou

A presidente Conselho Municipal da Comunidade Negra, Sebastiana de Fátima Gomes, exaltou a atuação dos homenageados e dos seus colegas conselheiros. Em seguida, ela defendeu a adoção de políticas públicas afirmativas, como as cotas raciais para ingresso em universidades públicas, para que o Estado brasileiro faça reparações históricas para com a sua população negra, escravizada por 388 anos. "A cota é correção de injustiças sociais. Os nossos ancestrais foram jogados para fora das fazendas. De escravos, foram colocados na condição de marginalidade. A nossa luta existe ainda hoje porque querem que continuemos na condição de marginalidade".

Ao final, Sebastiana comentou que o propósito do Conselho da Comunidade Negra é buscar que se crie condições para que pretos e pretas bauruenses deixem o estado de exclusão social. "Quando um negro sobe, ele tem que puxar e ajudar aquele que está embaixo. É isso o que o Conselho da Comunidade Negra tenta fazer. A gente está tentando fortalecer. Os nossos irmãos precisam na Educação, na Saúde e no Direito. É por isso que nós estamos ampliando. Nós viramos madrugada, feriado. Queremos que seja um Conselho atuante, e não de militância inócua", disse.

Apresentação

Finalizando a solenidade, a cantora Ricca Luz e o músico Adriano Martins apresentaram, no Plenário “Benedito Moreira Pinto”, uma performance musical denominada "Uma viagem ao mundo preto”, interpretando as músicas: “Nego Drama”, “Olhos Coloridos”, “Natiruts Reggae Power”, “À Primeira Vista”, “Minha alma” e, ao final, o músico Igor Galldino, conhecido como “Marrom” pelo seu cover da cantora Alcione, interpretou a música “Não deixe o samba morrer” em homenagem a “Zumbi dos Palmares’”.

Sobre o Prêmio

Criado em 2013, o Prêmio “Zumbi dos Palmares” reconhece, anualmente, cidadãos ou instituições que se dedicam à luta contra o racismo e outras intolerâncias. O Prêmio foi criado como parte das atividades que compõem a Semana da Consciência Negra, celebrada em novembro, e os homenageados são indicados pelo Conselho Municipal da Comunidade Negra de Bauru.