COVID-19: proposta de critérios para retomada das atividades é apresentada aos vereadores

- Vinicius Lousada

Não há prazo para que a fórmula elaborada pelo prefeito seja efetivamente adotada para o relaxamento ou não das normas da quarentena em Bauru, pois depende de aval do governo estadual

Vereadores participaram, nesta quarta-feira (13/05), de videoconferência com o prefeito Clodoaldo Gazzetta, que apresentou as principais diretrizes do chamado "Pacto por Bauru". O estudo aponta fórmula matemática que, se aceita pelo governo do estado, pode ser adotada pelo município como critério para definir o grau de flexibilização da quarentena, vigente em todo o território paulista até o dia 31 de maio em razão da pandemia do novo coronavírus.

O cálculo proposto pelo chefe do Poder Executivo considera quatro indicadores: curva epidemiológica; óbitos/testagem; leitos/taxa de ocupação; e isolamento social. Veja a íntegra

De acordo com Gazzetta, a fórmula se distingue dos conceitos que vêm sendo considerados pelo governo estadual, por não exigir a redução de casos de COVID-19 no período de 14 dias, já que, diferentemente das regiões metropolitanas, Bauru vem conseguindo reduzir a velocidade da disseminação do novo coronavírus.

Ainda assim, pelos dados apurados a partir dos critérios propostos pelo prefeito, a cidade alcançou o índice de 0,4775 - do intervalo possível de 0 a 1.

O cálculo enquadra Bauru no segundo de cinco cenários possíveis. Do mais rigoroso para o mais flexibilizado, são eles: 1. lockdown (0 - 0,25); 2. atividades essenciais (0,25 - 0,5); 3. abertura parcial (0,5 - 0,75); 4. abertura quase total (0,75 - 1); 5. normalizado (1).

Trata-se exatamente da situação já vigente no município, segundo Gazzetta. Ele ponderou, entretanto, que a cidade se aproxima do índice 0,5, portanto, do cenário seguinte no sentido da busca pela normalidade.

Paralelamente a isso, o prefeito informou que discute junto a líderes de outras 15 regiões administrativas do estado a definição de estratégias para o funcionamento de estabelecimentos de beleza e de academias de ginástica, desde a última segunda-feira (11/05), consideradas pelo governo federal como atividades essenciais. A busca conjunta por soluções também será

Sem prazos

Ao vereador Miltinho Sardin (PTB), Gazzetta informou que não há prazo para que a fórmula do "Pacto por Bauru" seja oficialmente adotada para nortear as diretrizes da quarentena no município, pois seria formalmente protocolada junto ao governo do estado na tarde de hoje.

Leitos e testagem

Coronel Meira (PSL) e Telma Gobbi (PP) pontuaram que parte dos indicadores que poderiam influenciar positivamente no índice da cidade a partir da fórmula proposta pela administração, mas as ações esperadas, como a ampla testagem e a abertura de leitos de UTI, mesmo a partir da formalização de parcerias com hospitais privadas, não têm sido concretizadas.

A partir dos relatos do prefeito sobre a dificuldade de aquisição de respiradores para o atendimento hospitalares, José Roberto Segalla (DEM) sugeriu criatividade, a partir, por exemplo, da tentativa de compra de equipamentos de segunda mão de países que já enfrentaram o pico da pandemia e podem estar em processo de desmobilização de hospitais de campanha.

Presidente da Câmara, ele também ponderou que o monitoramento de celulares para medir o distanciamento social não é totalmente eficaz e reiterou o temor sobre a situação em que estará a cidade depois de tanto tempo de interrupção das atividades econômicas.

Já a vereadora Chiara Ranieri (DEM), reconhecendo a complexidade do impasse, falou sobre a importância de se discutir a retomada dos atendimentos em escolas, restritos aos alunos de pais e mães que seguem trabalhando fora de casa.

Ela pontuou que muitas famílias estão trancando matrículas em escolas privadas, especialmente as de crianças com menos de quatro anos, que não precisa, obrigatoriamente, frequentar estabelecimentos de ensino.

Como consequência, prosseguiu Chiara, diversas pequenas empresas do ramo devem fechar. A parlamentar frisou que o município sentirá diretamente os efeitos desses cenários, pois boa parte desses pais vão recorrer à rede pública, que já não conseguia atender toda a demanda antes da pandemia.