Comissão de Ética ouve Sandro Bussola e Fábio Manfrinato

- Assessoria de Imprensa

Parlamentar e vereador licenciado negaram ter solicitado passagens aéreas pagas com dinheiro público

Reunida nesta sexta-feira (06/11), a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar ouviu o vereador Sandro Bussola (PSD) e o vereador licenciado Fábio Manfrinato (PP), a respeito de informações veiculadas por reportagem jornalística que aponta suposto recebimento de passagens aéreas que teriam sido pagas por determinação do ex-presidente da Cohab, Edison Gasparini Júnior.

Os dois negaram ter solicitado a compra de bilhetes com recursos públicos, seja da companhia ou da Prefeitura. Bussola disse ainda que não viajou de avião a Brasília no ano de 2018.

Ambos reiteraram que, mesmo em atividades relacionadas a seus mandatos, sequer viajaram com subsídios da Câmara Municipal de Bauru, prática legalmente amparada.

A apuração no âmbito da comissão foi instaurada a pedidos do parlamentar Coronel Meira (PSL) e do próprio vereador Bussola.

A reportagem trata de anotações em uma agenda da ex-secretária de Gasparini Junior na Cohab, que, em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, no âmbito da Operação João de Barro, teria comunicado sobre a relação dos nomes de agentes políticos e valores anotados a pagamentos de passagens aéreas emitidas em favor dos mesmos.

O assunto é objeto de Comissão Processante instaurada na última terceira-feira (03/11), na qual também figura como denunciado o prefeito Clodoaldo Gazzetta.

Ao fim da reunião, o presidente da Comissão de Ética, vereador Markinho Souza (PSDB), deliberou pela solicitação ao GAECO da documentação relacionada ao caso, bem como o pedido de informações sobre passagens aéreas compradas pela Prefeitura e pela Cohab.

Na condição de membros do colegiado, também participaram da reunião os vereadores Chiara Ranieri (DEM), Edvaldo Minhano (Cidadania), Mané Losila (MDB), Miltinho Sardin (PTB), Telma Gobbi (PP) e Ricardo Cabelo (Republicanos) – nomeado relator do processo.

Fábio Manfrinato

Primeiro a falar, o vereador licenciado relatou ter feito viagens a Brasília para buscar recursos e benefícios para a cidade. Documentação sobre tais atividades foi protocolada por ele junto à Comissão de Ética.

Disse que, escolhido para fazer a interlocução junto a deputados e ministérios, solicitou apoio para cumprir a agenda em reunião do grupo político de apoio ao atual governo municipal, do qual fez parte; mas tentando “algo particular”, e não por meio de dinheiro público, o qual declarou que jamais aceitaria.

Questionado por Markinho Souza, garantiu que não pediu recursos nem passagens aéreas ao prefeito Clodoaldo Gazzetta.

Ainda respondendo a perguntas, Fábio Manfrinato disse não se recordar como recebeu os bilhetes nem saber quem pagou pelos mesmos. Reiterou, contudo, que, em todas ocasiões, viajou a trabalho e não pernoitou em Brasília, a despeito de suas dificuldades de locomação.

O parlamentar licenciado disse ainda que, quando menciona o então grupo político do governo, refere-se à então base de apoio.

De acordo com ele, nos encontros, eram discutidas exclusivamente ideias e propostas para a cidade.

Manfrinato falou que desconhece o que significam as anotações na agenda da ex-secretária e, ao mencionar o papel do ex-presidente da Cohab como interlocutor político do governo, pontuou que não se sabia de ilicitudes atribuídas a ele após a Operação João de Barro.

O vereador licenciado respondeu também que nunca foi chamado pelo GAECO a prestar esclarecimentos e que solicitou junto à Cohab a relação de passagens aéreas adquiridas pelo órgão nos últimos anos.

Sandro Bussola

Tanto Manfrinato quanto Bussola apontaram motivações eleitorais na divulgação de informações sobre as anotações da agenda da ex-secretária.

O parlamentar do PSD disse também ter requerido informações junto à Cohab sobre a compra de passagens.

Ainda à comissão, relatou que seu advogado procurou o GAECO e obteve a informação de que não é investigado.

Outra medida tomada por Bussola foi acionar a Polícia Civil por conta de conteúdos difamatórios que têm sido disseminados pelas redes sociais, atacando a honra de sua família.

Ao negar ter obtido ou solicitado recursos públicos para viajar e a ter feito viagens aéreas a Brasília em 2018, alegou ainda desconhecer o teor das anotações da agenda.