Chiara Ranieri questiona uso de recursos da Educação para ronda: 'É improbidade'

- Vinicius Lousada

A parlamentar também desabafou sobre a ocorrência que resultou na morte de um adolescente de 15 anos, que rendeu funcionários e levou a viatura, menos de uma semana após o início do serviço

A vereadora Chiara Ranieri (DEM) questiona o uso de recursos da Educação para a contratação da chamada “Ronda Escolar” pela Prefeitura de Bauru.

Na Tribuna da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (30/09), a parlamentar afirmou que a circulação ininterrupta de quatro viaturas por quatro regiões da cidade, com 48 trabalhadores se revezando em turnos de 12 horas, configura serviço de segurança e não poderia ser paga com verba carimbada – lembrando que a Constituição Federal exige que 5% das receitas sejam aplicadas na Educação.

“Não é para usar em outras coisas que não na Educação. Isso é improbidade”, alertou Chiara, que ao final da Sessão Ordinária, recomendou que o prefeito Clodoaldo Gazzetta faça mudanças no contrato com a empresa antes de efetuar o primeiro pagamento, com o intuito de evitar futuros problemas com o Tribunal de Contas e com o Ministério Público.

A vereadora disse ainda que, antes de tratar do assunto publicamente, já havia alertado a secretária Isabel Miziara sobre a irregularidade.

Morte

Para Chiara Ranieri, o caso se torna ainda mais grave em razão da ocorrência que culminou na morte de um adolescente de 15 anos, menos de uma semana após o início da “Ronda Escolar” da Prefeitura.

Na Tribuna, ela questionou o que dois funcionários da empresa contratada faziam com a viatura parada no Parque Santa Cândida, na madrugada do dia 22 de setembro. A dupla foi rendida por dois rapazes, que levaram o veículo. Os agentes acionaram a Polícia Militar, que os encontrou. Um deles teria apontado uma arma para a equipe e morreu após ser baleado.

“Morreu aqui em Bauru, a partir de um serviço que começou há menos de um mês. Estamos falando de um jovem de 15 anos. Podem questionar e eu não sei o que ele fazia com uma arma (...) Mas um jovem foi morto a partir de recursos da Educação e ninguém fala nada!”, desabafou Chiara Ranieri.

Contrato milionário

A “Ronda Escolar” custará R$ 236 mil por mês, totalizando mais de R$ 7 milhões, já que o contrato assinado pela Prefeitura tem vigência de 30 meses.

O nome atribuído ao serviço também é alvo de questionamentos da vereadora. Segundo ela, “Ronda Escolar” caracteriza o acompanhamento que sempre foi feito pela Polícia Militar nos horários de entrada, de intervalo e de saída das escolas, acompanhamento o movimento e supervisionando eventuais práticas inadequadas, a fim de prevenir o tráfico de drogas e o assédio a jovens estudantes.

Assista à íntegra do pronunciamento