Audiência aponta demanda por medidas punitivas e educativas para coibir trotes

- Assessoria de Imprensa

Vereador Mané Losila sugere Lei Municipal com multa e atividades de conscientização nas escolas; em 2019, o Samu contabilizou 3.583 falsas chamadas; no Copom, foram 5 mil só em maio deste ano

Em Audiência Pública realizada nesta terça-feira (30/06), representantes de serviços essenciais do município e da Polícia Militar discutiram a necessidade de medidas mais duras para reduzir os índices de trotes telefônicos do quais são vítimas. O encontro, promovido por videoconferência, foi chamado e mediado pelo vereador Mané Losila (MDB).

Diante das estatísticas e das situações expostas, o parlamentar apontou que cabe ao Poder Legislativo formatar Projeto de Lei que estipule a aplicação de multas para quem passa trotes.

Losila também vai provocar a Secretaria Municipal de Educação a promover projetos de conscientização junto a seus alunos.

Em relação à Polícia Militar, o vereador demonstrou disposição a atuar na articulação política com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em busca de efetividade para a legislação já em vigor que trata do assunto.

SAMU

Paulo Pepulim, Diretor do Departamento de Urgência e Emergência de Bauru, reafirmou os dados sociais causados pelos trotes. A prática pode resultar em atrasos no atendimento de ocorrências reais e ainda acarreta desperdício de dinheiro público, já que mobiliza o uso de equipamentos, materiais e combustível necessários para o deslocamento de equipes de socorro.

De acordo com ele, em 2019, o SAMU Bauru recebeu 80.617 ligações, das quais 3.583 eram trotes. No primeiro semestre de 2020, o serviço recebeu 37.244 chamadas, das quais 841 foram classificadas como trote.

Sérgio Henrique Antonio, Secretário Municipal de Saúde, ressaltou que medidas educacionais e de conscientização precisam ser trabalhadas em conjunto com medidas punitivas, no sentido do que propôs Mané Losila ao fim da audiência.

Secretário do Bem-Estar Social, José Carlos Augusto Fernandes acredita que a prática de trote é uma questão cultural, ponderando que o poder público precisa incrementar ações para diminuir o número de falsas chamadas.

PM

Representante da Polícia Militar, o major Jovercy Bergamaschi observou que os trotes causam prejuízo ao serviço emergencial, já que uma linha que poderia ser utilizada por um munícipe que precise realmente do serviço é ocupada, além de gerar uma mobilização da equipe de emergência.

Ele destacou ainda que, muitas vezes, acionam a corporação solicitando informações que não competem a ela.

Bergamaschi acredita que um passo importante é conscientizar a população no sentido de que o uso do telefone deve acontecer apenas em situações de emergência.

O major citou também a existência da Lei Estadual 14.738, de 2012, que ainda não foi regulamentada, e prevê multa no valor equivalente a R$ 1.800,00 para os responsáveis pelas linhas que realizarem o trote.

Capitão Tarcísio, representante do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) na região, solicitou medidas que efetivem a norma, já que o órgão atende 75 municípios além de Bauru.

Em maio de 2020, o Copom recebeu 71.097 ligações, das quais 5.000 chamadas foram trotes.

Conceito

Tanto no SAMU quanto na Polícia Militar, as ligações contabilizadas como trotes são aquelas onde o atendente do serviço emergencial consegue identificar a natureza da chamada antes de acionar a equipe médica. Aquelas que ficam sem resposta ou mudas são classificadas como chamadas não concluídas.