Agenda cultural 2022 é discutida em reunião da Comissão de Cultura

- Assessoria de Imprensa

Apresentação foi feita pela secretária de Cultura no plenário da Casa de Leis

Nesta quarta-feira (6/10), a Câmara Municipal de Bauru promoveu uma Reunião Pública para discutir a agenda cultural e possíveis eventos para 2022. Foram convidadas a secretária Municipal de Cultura, Tatiana Sá, e a prefeita Suéllen Rosim

A reunião foi conduzida pelo vereador Junior Rodrigues (PSD), presidente da Comissão de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo da Câmara Municipal de Bauru. Também participaram do encontro os vereadores Mané Losila (MDB), Beto Móveis (Cidadania), Estela Almagro (PT), Pastor Edson Miguel (Republicanos), Pastor Bira (Podemos) e Markinho Souza (PSDB), presidente da Casa de Leis.

Além dos membros, estiveram no plenário “Benedito Moreira Pinto”, a secretária de Cultura, Tatiana Sá, e o diretor da pasta, Luiz Ornelas. Também participaram de forma presencial, o presidente da Liga de Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Bauru (Liesb), Alisson Talon Carlos, e o representante da classe artística do MEAB (Músicos em Ação - Bauru), Paulo Tonon.

Tatiana Sá falou dos problemas e dos desafios frente à pasta e do Teatro Municipal, que receberá novo ar condicionado, e também das outras divisões culturais que o prédio abriga. Ela citou que com o diagnóstico foi possível redistribuir as fichas da Secretaria de Cultura para atender todos os departamentos enquadrando no Plano Plurianual (PPA 2022-2025).

Segundo a secretária de Cultura, as Bibliotecas Ramais precisam de reformas nos imóveis, compra de equipamentos e da contratação de profissionais para as unidades voltarem a funcionar em sua totalidade. Já para as aulas de dança, Tatiana citou que há servidores, mas eles não têm local para darem as aulas e há necessidade de reforma dos espaços para que as aulas ocorram de forma adequada, sem oferecer riscos aos alunos.

O déficit do quadro de funcionários também afeta o departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura, que é responsável por cuidar dos museus e registros da história de Bauru, segundo a gestora da pasta. Ela ainda pontua que a preservação do patrimônio histórico de Bauru é referência no estado de São Paulo, mas alguns dos museus da cidade estão fechados precisando de reformas e funcionários.

Sobre a agenda cultural para 2022, Tatiana citou que está apresentando o Programa de Gestão Acesso Cultural visando dar visibilidade à diversidade cultural do município. A previsão do orçamento da pasta é de R$ 14,7 milhões, e o orçamento para difusão e apoio cultural é de R$ 1,1 milhão.

A agenda de 2022 se inicia em fevereiro e inclui eventos como Carnaval, Festival de Artes Cênicas (Circo e Teatro), Dia Internacional da Mulher, Mostra Arte Sem Barreiras, Animabru, Semana da Dança, do Livro Infantil, da Cultura Indígena, do Meio Ambiente, de Combate ao Preconceito e à Discriminação, do Hip-Hop, da Ferrovia, da Consciência Negra, Vitória Rock, Comic Fan Fest, Expresso Geek Online, Trovas Natalinas, Aniversário da Cidade, da Companhia Estável de Dança e da Banda e Orquestra Sinfônica de Bauru.

Para a realização do Carnaval 2022, a secretária de Cultura apresentou um orçamento de R$ 350 mil e a ideia de promover um Chamamento Público para a realização do evento, exemplificado em três propostas diferentes. O objetivo seria credenciar empresas públicas ou privadas que estejam interessadas em firmar contrato de patrocínio do Carnaval, dando a elas o direito de exploração de publicidade mediante a aquisição de cota(s), para custear as escolas de samba, blocos e demais despesas do desfile de rua e no sambódromo de Bauru.

O vereador Markinho Souza (PSDB) questionou os orçamentos apresentados, afirmando que eventos gratuitos da cidade, como o Carnaval, a Parada da Diversidade, a Semana do Hip-Hop e algumas atividades da Expo Bauru, são de acesso à população mais pobre do município e, portanto, precisam ter um investimento maior para que sejam realizados de forma adequada. “Chega a ser cruel com aquela população menos favorecida de Bauru”, argumentou o vereador, definindo os orçamentos apresentados como insuficientes para a realização dos eventos.

Depois, a vereadora Estela Almagro (PT) fez uso da palavra, destacando a ausência da prefeita Suéllen Rosim na reunião para discutir a questão da Cultura na cidade de Bauru. Sobre a exposição da secretária Tatiana Sá, a vereadora também pontuou os orçamentos como baixos, e afirma que eles são como uma manifestação de um desejo de não realização dos eventos culturais em Bauru, se dizendo “profundamente indignada”.

Pastor Bira (Podemos) também levantou questões acerca do orçamento apresentado pela secretária de Cultura, acreditando ser baixo o destinado às ações culturais de base, e alto o previsto para a realização do Carnaval. O vereador argumentou que a Cultura deve sim ser fomentada, mas que as autoridades “não devem dar passos maiores que as pernas”, e que a discussão sobre a pasta deve ser equilibrada.

Mané Losila (MDB), participando da reunião de forma virtual, destacou a necessidade de fornecer suporte aos artistas. Contrariando a fala de Pastor Bira (Podemos), que destacou a Cultura e o Esporte como elementos de diversão e entretenimento para a população, o vereador ressaltou que os objetos da discussão são também formas de trabalho, e que o Governo Municipal precisa retomar as condições de dignidade de quem depende da Cultura.

O representante do Músicos em Ação de Bauru (MEAB), Paulo Tonon, também falou sobre a necessidade de apoio que os profissionais que trabalham na área cultural carecem no momento, pontuando a falta de previsão e planejamento desse aspecto na exposição realizada pela secretária de Cultura. Comparando a gestão do Executivo Municipal atual com a anterior, Tonon destaca que agora é o momento em que os artistas mais precisam, mas recebem repasses cada vez menores. Por fim, o representante do MEAB falou sobre o reflexo dos investimentos em Cultura, que diminuem problemas com criminalidade e drogas, sendo assim um trabalho de prevenção e educação.

O presidente da Liga de Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Bauru (Liesb), Alisson Talon Carlos, concordou com a fala do vereador Markinho Souza sobre o acesso das populações mais pobres da cidade aos eventos gratuitos, dizendo que, pela proposta de investimentos, não ocorrerá nenhum evento cultural na cidade, e que os valores de investimento “beiram a indecência”.

Alisson Talon Carlos falou também sobre o papel educador das escolas de samba, que ensinam artes nas periferias. Segundo ele, o trabalho atinge locais que a Prefeitura não consegue chegar, e os investimentos da comunidade, se somados, são muito mais caros do que o orçamento do carnaval, caso fosse custeado, mas as agremiações os realizam de forma gratuita. Por fim, o presidente da Liesb destacou o papel de geração de empregos e renda do Carnaval, para quem trabalha nos eventos e nos demais serviços envolvidos.

Em resposta à exposição de Alisson Talon, Pastor Bira (Podemos) defendeu que a comunidade carnavalesca deve ser autossuficiente, comercializando sua atuação no carnaval. Sobre a questão, o presidente da Liesb pontuou as legislações municipais que não permitem essa dinâmica de execução e que já procurou várias vezes o Poder Público para uma parceria entre a liga e a Prefeitura. A secretária de Cultura respondeu que uma mudança nas possibilidades legais de realização do Carnaval está nos planos da pasta.

Também fazendo uso da fala, o diretor de Cultura, Luiz Ornelas, afirmou ser inviável o desgaste com as discussões acerca do Carnaval 2022, visto a probabilidade de o evento não ocorrer, por conta da situação de interdição do sambódromo.

Em seguida, representante do segmento de cultura popular do Conselho Municipal de Política Cultural, Juliana Aparecida Jonson Gonçalves, criticou a postura da prefeita Suéllen Rosim no que tange aos debates sobre a Cultura na cidade, argumentando que a pandemia da COVID-19 mostrou a importância da Arte, sendo este o momento da valorização da classe artística. Por fim, Juliana afirmou que a situação das unidades de cultura de Bauru é vergonhosa.

Por fim, o vereador Junior Rodrigues (PSD), presidente do colegiado, levantou questões sobre os projetos e as prestações de contas das escolas de samba da cidade. O presidente da Liesb esclareceu que cada agremiação desenvolve projetos com a sua comunidade e as prestações de contas das escolas, antes de 2019, eram feitas diretamente para as empresas contratadas pela Prefeitura, via licitação, e elas prestavam contas para o Executivo. A partir de 2020, a Liga passou a gerir a prestação de contas das escolas de samba, que eram auditadas por escritório de contabilidade e posteriormente entregues para a Administração Municipal.

Junior pontuou a necessidade de uma reunião para tratar sobre a questão do Esporte em Bauru com a Comissão de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo do Poder Legislativo para as próximas semanas.